Neste documentário, Samuel Rivera extrai do faixa-preta Ricardo “Cachorrão” Almeida como o Jiu-Jitsu o mudou, e qual o impacto do Jiu-Jitsu na vida das pessoas. Assista ao vídeo acima, e confira alguns trechos abaixo:

“Comecei na Gracie Barra em 1992. Comecei a treinar jiu-jitsu porque meu pai queria que eu e meu irmão aprendêssemos a nos defender. Sendo menino no Rio, você vai acabar brigando com alguém — ou então vai ser importunado. Então ele queria que soubéssemos defender-nos.

“O jiu-jitsu estava começando a ser bem mais conhecido no brasil. Mas ele ainda sofria do estigma de haver alguns jiu-jiteiros que brigavam nas ruas. Era uma comunidade menor, então você ouvia boatos, como, “Todos os jiu-jiteiros provocam brigas quando saem”. E não era nem perto da verdade. Acho que todo mundo na minha família tem a preocupação que tem quase todo pai: “Se meu filho aprender artes marciais, será que ele ficará mais agressivo?”.

“E não é nada disso. Ela vira um instrumento pra você virar uma pessoa melhor. O modo como interagimos com o mundo vem muito das aulas, dos treinos que temos nas artes marciais, e acho que, como uma comunidade de arte marcial, temos um longo caminho pela frente, porque, se os meus pais se preocupavam com isso tem mais de 25 anos, e isso ainda é uma preocupação, como é que não estamos fazendo um trabalho melhor de ensinar às pessoas que não treinam que isto é fantástico, incrível? Como é que os pais ainda se sentem melhor levando os filhos pra fazer futebol em vez de jiu-jitsu ou outras artes marciais, quando as artes marciais oferecem benefícios muito além dos benefícios meramente físicos da aula de futebol ou beisebol?”

“O jiu-jitsu reflete a vida, e de certas formas a vida reflete uma luta física. Acho que o modo como o jiu-jitsu me mudou, e o modo como acredito que o jiu-jitsu muda as pessoas, é que ele te dá uma percepção mais profunda de quem você é como pessoa. Mostrou-me forças que eu não imaginava ter. Também me mostrou deficiências que deviam ter sido mais evidentes. Com o jiu-jitsu, consigo trabalhar nelas, ser um pouco mais agradável às pessoas a minha volta. A maioria das pessoas vaga pela vida e cria esses personagens, e você vê isso na mídia social — muitas pessoas que você vê na mídia social, aquilo não é o que elas são. Elas criam esse personagem que é súper durão, súper bem-sucedido, ou viaja aos lugares mais legais do mundo. E não é isso que elas são quando você as conhece em pessoa — não são tão interessantes; não têm tanto de substantivo pra dizer. A maioria das pessoas na mídia social cria esses personagens que nos permitem atravessar a vida de forma mais segura.

“O jiu-jitsu é o oposto: você abraça o confronto; você abraça o incômodo; você abraça o ato de fracassar; e você trabalha partindo dali. Cada pequeno progresso no jiu-jitsu começa com um passo atrás. Mesmo as técnicas mais básicas que você aprende ao entrar numa academia — primeiro você aprende a cair, e aí aprende a se levantar. Todo o currículo de defesa pessoal — primeiro você aprende a neutralizar o ataque do adversário; aí é que você começa a pensar na tua própria ofensiva.

“Então acho que o aspecto mais fundamental do jiu-jitsu — e sei que estou usando uma metáfora aqui –, quando você analisa como é que ele muda as pessoas, é que ele as muda porque elas aprendem a cair, aprendem a aceitar o fracasso como parte do progresso; aprendem a aceitar o incômodo como um trabalho em progresso — um sacrificiozinho agora pra ganhar algo que você deseja no futuro. Nós ganhamos uma percepção mais profunda do que somos. Aprendemos nossas fraquezas e tentamos removê-las, ou acentuamos nossos fortes, e ajudamos o povo à nossa volta a atingir metas semelhantes às nossas.”

Source: GracieMag